terça-feira, 17 de setembro de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
0051 - Oito anos depois...
... da entrega de originais foi publicado o estudo monográfico realizado para o Bloco 5 do plano de minimização da construção da barragem de Alqueva, intervenção da ERA Arqueologia. Tarde, mas saiu (como estão a sair as publicações de vários outros blocos). E isso merece aplauso, tanto mais que esta é uma prática não generalizada aos processos de minimização. O que se percebe mal. Porque razão grandes projectos, como auto-estradas por exemplo, não foram igualmente condicionados à publicação dos resultados dos trabalhos de minimização? Repito: percebe-se mal. Entretanto, esperamos para breve a publicação dos Blocos 9 e 10 do mesmo processo de mitigação, igualmente intervencionados pela ERA.
sábado, 4 de maio de 2013
050 - Investigação de práticas funerárias no NIA
Estrutura com deposições de restos de cremações (Perdigões, Serctor Q)
A investigação das práticas
funerárias na Pré-História Recente é uma temática central da actividade do NIA.
Participando em dois projectos FCT em curso dedicados a esta temática, foi
organizador de um colóquio internacional em Novembro passado na Fundação
Calouste Gulbenkian dedicado a esta temática, interveio no colóquio anual da
ERA com uma comunicação sobre o recinto (funerário) de Bela Vista 5 e recentemente
esteve presente, com comunicação e posters em parceria com o CIAS, no IIº
Congresso Internacional sobre Arqueologia de Transição: O Mundo Funerário
realizado na Universidade de Évora.
O próximo passo neste percurso
será no próximo dia 11 de Maio em Abrantes, no encontro “A morte protegida.
Discursos arqueográficos e discursos mentais. Modalidades funerárias na
Pré-História Recente”, com a comunicação : "Arqueologia da morte da Pré-História Recente no interior alentejano: como uma revolução empírica também depende de uma revolução teórica." por António Carlos Valera.
Resumo:
"O interior alentejano tem assistido nos últimos anos, e
no que à Pré-História Recente diz respeito, a uma catadupa de nova e importante
informação, a qual tenho vindo a apelidar de revolução empírica, dada a
transformação que implica nos conhecimentos prévios para a região. Os contextos
funerários têm participado dessa dinâmica e a visão das práticas funerárias, do
Neolítico à Idade do Bronze, tem-se alterado significativamente. Porém, a
descoberta de todo este manancial de novos dados reclama por novas posturas
teóricas, na medida em que a aquisição de dados e a sua valorização não são
feitos num quadro de "tábua raza" ou de neutralidade teórica, mas sim
enquadrados por matrizes conceptuais e questionários de construção teórica, que
interferem na percepção desses dados e sem os quais muitos deles nem sequer se
constituem como tal.
Nesta comunicação, sublinhando as principais alterações que se têm
produzido no registo arqueológico de contextos funerários no interior
alentejano no período em questão, apresentarei alguns dos reposicionamentos
teóricos que considero fundamentais para uma abordagem consequente às
problemáticas destas práticas funerárias."
sexta-feira, 29 de março de 2013
049 - Uma janela de oportunidades
No passado fim-de-semana
decorreu mais uma Assembleia-geral da APA - Associação Profissional de Arqueólogos. O desenrolar dos
trabalhos faz-me acreditar que se reuniram condições mínimas para um reactivar
da associação. Em síntese:
- por manifesta
irregularidade na sua forma de apresentação, foi retirada a candidatura da
única lista que se apresentou às eleições;
– sem candidatos, foi adiado o processo
eleitoral e novas eleições deverão ser agendadas para o Verão;
– foi aprovado um "perdão"
parcial da dívida dos cerca de 350 associados actualmente suspensos (95% dos
sócios).
Estes factos e o próprio
ambiente vivido na Assembleia-geral, em que se assumiram de frente os problemas
actuais, criaram uma janela de oportunidades para o (re)abrir do diálogo entre a
APA e os arqueólogos, independentemente da sua condição de associados.
Para que a associação desempenhe
a sua função junto dos arqueólogos, será fundamental implementar uma ambiciosa
estratégia de comunicação que permita, por um lado, demonstrar aos associados
suspensos que vale a pena regressar à vida associativa, e por outro, que
possibilite a entrada de novos sócios. Sob este aspecto, é de destacar a
aprovação na Assembleia-geral de uma campanha de angariação de novos
associados, assente em vantagens garantidas durante o ano de 2013 pela forte
redução de custos de inscrição.
É evidente que continuo a
acreditar que a minha proposta de “perdão” total das dívidas acumuladas seria a
mais simples, pragmática e capaz de assegurar aquilo que julgo ser pretendido
por quase todos, ou seja, o retorno dos sócios e a emergência de uma renovada
dinâmica interna. A mera aprovação de uma anulação parcial das dívidas pode não ajudar...veremos.
Infelizmente, dado que a actual equipa
directiva não parece reunir condições para estabelecer pontes eficazes de
diálogo com os associados, penso que o futuro da APA passa fundamentalmente
pela capacidade de análise, discussão e acção que grupos de sócios venham a
demonstrar ter. Seria muito vantajoso que, dessa desejada dinâmica, surgissem
diversas correntes de opinião que convergissem em mais do que uma candidatura a
apresentar às próximas eleições.
Independentemente de tudo, na base do futuro da
associação estará sempre uma pergunta que tem que ser respondida: porque vale a
pena apostar na APA?
sexta-feira, 22 de março de 2013
048 - Para uma sobrevivência útil da APA
Antes de mais tenho as
quotas da APA em dia e, como sócio de pleno direito, irei estar presente na
próxima Assembleia-geral da associação, procurando dar o meu contributo
construtivo.
A sobrevivência da APA
está em causa e o seu esvaziamento é da responsabilidade de todos os sócios. Não
nos pudemos conformar com a situação de há muitos anos: uma entidade sem
visibilidade, sem acção e sem ligação aos arqueólogos. A APA tem que funcionar e não podemos perder
mais tempo com discussões inúteis sobre as razões que motivaram cada sócio a
manter uma efectiva relação com a associação. Agora é urgente assumir que
estamos no limite e que devemos ter a
coragem de trilhar um caminho consequente que rompa com o triste
situacionismo em que estamos mergulhados. Para isso, é vital falar de directamente
aos sócios começando por divulgar dados e números concretos sobre aspectos como
a percentagem de sócios que estão suspensos (95%?), assumindo o valor concretos
da dívida acumulada pelo não pagamento de quotas (€140.000,00??!!) e colocando
na base da estratégia de acção a criação de condições mínimas para um eventual
retorno daqueles que há mais ou menos tempo estão afastados.
Infelizmente, ao
contrário do mencionado por António Silva em comentário à anterior entrada deste Blog, não existe uma “tão
grande massa de sócios que queiram agora que lhes seja devolvida a APA”. Provavelmente
essa é hoje uma questão que passa completamente ao lado de 99% dos arqueólogos portugueses.
No entanto, porque acredito que uma instituição como a APA pode ser útil à
profissão, não posso deixar de tentar encontrar soluções efectivas para mudar o
estado das coisas, ou seja, para demonstrar ao maior número possível de
arqueólogos que vale a pena participar na valorização e afirmação da associação
que já existe. Daí o meu contributo materializado numa proposta a submeter à Assembleia-geral
de amanhã, na qual lutarei para que nada de ilegal se passe. Sei que os poucos
que lá estarão e os pouquíssimos que poderão votar partilham desta minha
opinião.
quarta-feira, 20 de março de 2013
047 - A APA e o futuro dos arqueólogos
Aproxima-se a próxima Assembleia Geral da APA – Associação Profissional de Arqueólogos. O actual estado das coisas é grave, assistindo-se a uma paralisia total da vida associativa. Sem dados oficiais, estima-se que 95% (?) dos sócios da APA tenham a sua inscrição suspensa por falta de pagamento de quotas. A dívida dos sócios à associação é gigantesca e, obviamente, nunca será paga. Porquê? Porque o dinheiro é algo de preciosos e já (quase) ninguém acredita na APA. Ou seja, ninguém vai pagar por algo em que não se revê e em cujo futuro não acredita; para quase todos, a APA é hoje um projecto totalmente inexistente ou irrelevante para a sua vida profissional. Se por um lado os sócios estão divorciados da APA, por outro a actual direcção foi incapaz de alterar a situação. E disso deve ser responsabilizada.
No entanto, a APA pode e deve continuar a existir porque o seu projecto continua
a ser válido ao serviço da ética profissional, da difusão e incremento das
boas-práticas profissionais, como voz efectivamente representativa da maioria
dos profissionais junto da sociedade e das entidades tutelares do património
arqueológico; enfim, como actor principal na dignificação e afirmação social da
profissão de arqueólogo.
Para além de intenções, é fundamental agir para a mudança. Podemos fazê-lo;
podemos inverter a actual situação de pré-falência da APA. Como? Com uma
estratégia que devolva a APA aos associados, a todos os associados, e crie
condições para a inscrição de novos arqueólogos. Tal estratégia deverá ter como
ponto de partida a anulação das dívidas dos sócios e a criação de
possibilidades, se assim o entenderem, para o seu regresso à vida associativa. Esta
opção deve ser assumida de forma muito realista por aqueles (poucos) que têm
pago as quotas e que, consequentemente, podem votar esta decisão. Pensar que
estes serão prejudicados corresponde a uma bizantinice.
A anulação das dívidas deverá ser complementada por uma dinâmica pré-eleitoral
assente em projectos e candidatos alternativos a eleger. O que pressupõe que as
eleições do próximo sábado não se realizem...
O momento actual é verdadeiramente de risco. A APA está no limite da sua
sobrevivência e é impensável imaginar a sua persistência como instituição
representativa de um escasso número de profissionais. Assumir tal possibilidade
corresponde ao desvirtuar o projecto da associação, à sua eventual extinção e ao
abrir caminho para o aparecimento de instituições alternativas à APA.
Os escassos sócios, entre os quais me incluo, que na próxima Assembleia
Geral terão de tomar decisões deverão assumir as suas responsabilidades de
forma corajosa e com a humildade inerente a quem se projecta num futuro
diferente do actual situacionismo. Com bom senso, a APA pode voltar a reunir os arqueólogos portugueses em torno de grandes ideias e objectivos comuns.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
046 - Um prémio para o relançar da APA
Ainda em relação à
questão do futuro da APA – Associação Profissional de Arqueólogos, é curioso o
comentário publicado no Facebook pelo seu vice-presidente, a propósito do não
pagamento de quotas por parte de associados: “Quem acredita na APA pagou
as quotas de forma a poder exercer e usufruir de todos os seus direitos.” O problema é precisamente esse: já são poucos,
demasiadamente poucos, os que ainda acreditam na associação.
Face à actual situação, como
proceder? Concordar que a razão está com aqueles que pagam e portanto com
aqueles que acreditam na actual APA? Sendo tão poucos (10, 15, 20 para um
universo de perto de 400 associados...os dados não estão divulgados...), será
que a esmagadora maioria dos sócios é totalmente inconsciente?
Penso que a actual
direcção da APA assenta a sua acção e intenção de recandidatura a um futuro
mandato numa deficiente análise da realidade e numa incapacidade de proceder a
uma auto-crítica minimamente objectiva. A progressiva desmobilização dos membros
da APA e a ausência de novos associados parece demonstrar uma profunda falta de
empatia entre os seus corpos sociais, os restantes membros da associação e os
arqueólogos em geral. Por isso mesmo, é questionável que aqueles que já não
pagam quotas e se afastaram da vida associativa sejam recriminados. É que pertencer
à APA não é uma questão de fé, sendo antes uma opção assente numa convicção e
em expectativas de resultados úteis que não foram, de todo, alcançados pela actual
direcção. Por isso, não considero pertinente que os sócios que (ainda) não desistiram e
que têm continuado a pagar as suas quotas devam ser recompensados pelo seu
esforço, muito menos sendo isentados de quotas durante alguns anos, como alguns já sugeriram.
Este é o tempo de viabilizar o retorno das centenas de membros que deixaram de acreditar. Esse eventual regresso será a única e merecida recompensa para aqueles que mantiveram a APA viva. A partir desse ponto, poderá começar o verdadeiro trabalho assente em ideias inovadoras.
Este é o tempo de viabilizar o retorno das centenas de membros que deixaram de acreditar. Esse eventual regresso será a única e merecida recompensa para aqueles que mantiveram a APA viva. A partir desse ponto, poderá começar o verdadeiro trabalho assente em ideias inovadoras.
Nota final: até ao dia da próxima
Assembleia Geral irei pagar as quotas que tenho em atraso.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
045 - O fim da APA é inevitável?
Após três anos de um mandato manifestamente infeliz a APA
vai reunir em Assembleia Geral, convocada para eleger novos corpos sociais. A
reunião, a decorrer no final de Março, corre o sério risco de fazer juntar menos
de uma dezena dos cerca de quatrocentos associados. Perante isto, é evidente
que a APA, depois de um lento definhar ao longo de vários anos, está agora à
beira do fim. Como arqueólogo e como responsável da ERA Arqueologia, considero que
a situação é muito preocupante.
Face à necessidade estratégica de agir e de procurar
mobilizar os arqueólogos em torno de causas fundamentais para o incremento da
profissão e respectiva afirmação social, a actual direcção mais não fez do que
assistir impávida e serenamente ao esvaziar da missão da APA e à debandada
quase total dos seus associados. É provável que hoje, por terem as quotas em
dia, apenas vinte sócios estejam em condições de votar. A mudança é quase
impossível.
Mas, porque será que já quase ninguém paga as quotas? A
resposta é simples: porque já quase ninguém acredita na APA. A motivação é
nula, a descrença parece irreversível e poucos acreditam no pagamento das dívidas em atraso.
Será definitivo este afastamento da esmagadora maioria dos sócios?
Em contraponto ao actual sistema em que os arqueólogos são regulados
e controlados pela tutela ou pelas entidades empregadoras, acredito num modelo
assente na auto-regulação dos profissionais. Por isso, considero fundamental a efectiva
reactivação da APA. Em benefício dos arqueólogos e do nosso património arqueológico.
Mas, como reabilitar a APA? Como se explica o silêncio da
actual direcção face ao aproximar das eleições? Que justifica a sua falta de
vontade em motivar os associados a participarem no acto eleitoral, nomeadamente
através da discussão de ideias e projectos?
Para acreditar que uma mudança ainda é possível na APA,
proponho um roteiro simples:
1 – que nenhuma candidatura seja agora apresentada uma vez
que nas actuais circunstâncias qualquer eleição estará ferida de morte pela sua
escassa representatividade;
2 – que seja aprovado, já na próxima Assembleia Geral, um
perdão generalizado das dívidas acumuladas pelos sócios, criando-se condições
para o seu regresso a uma plena participação na vida associativa;
3 – adiamento das eleições para futura Assembleia Geral e
mobilização dos sócios em torno de ideias e projectos alternativos que possam
ir a votos.
O perdão das dívidas é uma solução milagrosa para o relançamento
da APA? Não. A solução está na participação dos sócios, de muitos sócios, nas
suas ideias e na sua capacidade de agir. Perante a óbvia incapacidade e falta
de vontade da generalidade dos sócios em pagar as quotas em atraso, esta parece-me
a única alternativa que ainda poderá viabilizar o regresso dos associados ao
palco da acção. Se tal não acontecer e se os arqueólogos não agarrarem tal
oportunidade, deverá ser frontalmente assumida a falência da APA.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Cabeça de Auroque encontrada no Monte do Carrascal 2
Escavação em laboratório de parte da cabeça de um auroque (bovino selvagem de grande porte, já extinto) recolhido na ocupação mesolítica do sítio do Carrascal 2 (trabalho em curso, da responsabilidade do NIA, realizado no âmbito de um projecto de investigação da FCT)
domingo, 10 de fevereiro de 2013
043 - Dois elos da cadeia arqueológica: empresas e universidades
A esmagadora maioria dos projectos de Arqueologia realizados em Portugal são concretizados por empresas e são estas que gerem aquela que é, de longe, a mais significativa fatia de financiamento anual aplicado nesta área.
Este paradigma foi criado pela nossa sociedade de
fundamentos essencialmente capitalistas e liberais. A estrutura do Património arqueológico
em que nos movemos assenta num Estado licenciador e fiscalizador. A quase total
incapacidade de investimento público nesta área deixa aos promotores de
empreendimentos e a título indemnizatório o encargo de investir em Património:
quem afecta, paga.
A tese poderia ser pacífica se os investimentos realizados
de acordo com este modelo fossem consequentes e reprodutivos, ou seja, se
fossem geradores de conhecimento, se contribuíssem para a salvaguarda do
Património, se promovessem valores de civismo e se estimulassem o usufruto do
Património pelos cidadãos. Infelizmente, na maior parte dos casos os projectos
concretizados não decorrem com a necessária qualidade e a sua visibilidade para
o exterior é nula. Dessa forma, muitos são os casos em que o investimento é
realizado apenas para garantir um “papel” para que determinadas obras avancem.
O êxito de uma Arqueologia efectivamente Pública implica a
criação de pontes entre os que a concretizam, aqueles que a pagam e os que lhe
dão continuidade. É aqui que surge a articulação entre empresas e
universidades. Para ampliar as possibilidades de gerar conhecimento a partir dos
investimentos realizados, as universidades e as empresas da área da Arqueologia
devem trabalhar em conjunto porque são elos de uma cadeia que liga os vestígios
do passado com os cidadãos de hoje e do futuro. O ritmo de descoberta e de
escavação de tantos e tantos sítios arqueológicos absolutamente relevantes implica
uma forte responsabilidade, devendo empresas e universidades actuar de maneira
a potenciar os recursos de criação de conhecimento que encerram os vestígios do
passado.
O Colóquio da ERA, a realizar no próximo fim-de-semana,
assenta numa saudável parceria com a Universidade Nova de Lisboa. Colaborar
pode não ser fácil porque implica que nos descentremos sempre um pouco do nosso
próprio foco. Mas aqueles que tiverem a Visão mais ampla e se dispuserem a alargar
os seus horizontes terão mais hipóteses de cumprir a sua obrigação para com a
sociedade e para com o nosso Património colectivo. Colaborando, empresas e
universidades podem crescer, melhorar o seu desempenho e contribuir para a
sociabilização da disciplina.
sábado, 12 de janeiro de 2013
042 - Os perigos da desinformação
A Internet é uma notável aquisição para a comunicação e partilha de informação. Mas, como todas as ferramentas, não está imune à má utilização, No caso que relato, chega a ser hilariante a "caldeirada" noticiada a propósito da descoberta do recinto de Xancra e que poderão consultar aqui: http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/pag/1/arqueologia01.htm
Apenas algumas notas:
1 - Começa pelo título: "descoberta de uma xancra". Aparentemente não perceberam que Xancra é o nome do sítio e não de um tipo de sítio, o qual chegam a definir : "A imagem dessa nova Xancra – palavra que designa um sítio arqueológico ainda não escavado e aparentemente em notáveis condições de preservação (...)"
2- Logo por baixo aparece a imagem do meu colega Rui Boaventura, que nada tem a ver com o caso, e que documenta a sua descoberta, acompanhado pela descendência, de um ídolo no sítio de Pombal, bem distante de Xancra. Acontece que essa imagem foi publicada no mesmo número da revista Apontamentos de Arqueologia e Património em que foi publicado o artigo sobre a geofísica de Xancra.
3 - Depois publica-se uma nova imagem, legendada como sendo de Xancra e referindo um fosso cheio de materiais calcolíticos, mas que corresponde a um dos hipogeus escavados pela ERA no Porto Torrão.
E no fim disto tudo remete-se o leitor para a Apontamentos.
Faltam as palavras para classificar este tipo de situações, as quais, contudo, servem para que os utilizadores acríticos da net, nomeadamente estudantes, ganhem consciência que a "crítica das fontes" não se aplica apenas aos documentos em pergaminho ou papel. A internet é uma ferramenta notável, que potenciou tudo. O bom e o mau.
Apenas algumas notas:
1 - Começa pelo título: "descoberta de uma xancra". Aparentemente não perceberam que Xancra é o nome do sítio e não de um tipo de sítio, o qual chegam a definir : "A imagem dessa nova Xancra – palavra que designa um sítio arqueológico ainda não escavado e aparentemente em notáveis condições de preservação (...)"
2- Logo por baixo aparece a imagem do meu colega Rui Boaventura, que nada tem a ver com o caso, e que documenta a sua descoberta, acompanhado pela descendência, de um ídolo no sítio de Pombal, bem distante de Xancra. Acontece que essa imagem foi publicada no mesmo número da revista Apontamentos de Arqueologia e Património em que foi publicado o artigo sobre a geofísica de Xancra.
3 - Depois publica-se uma nova imagem, legendada como sendo de Xancra e referindo um fosso cheio de materiais calcolíticos, mas que corresponde a um dos hipogeus escavados pela ERA no Porto Torrão.
E no fim disto tudo remete-se o leitor para a Apontamentos.
Faltam as palavras para classificar este tipo de situações, as quais, contudo, servem para que os utilizadores acríticos da net, nomeadamente estudantes, ganhem consciência que a "crítica das fontes" não se aplica apenas aos documentos em pergaminho ou papel. A internet é uma ferramenta notável, que potenciou tudo. O bom e o mau.
domingo, 18 de novembro de 2012
041 - Para uma Arqueologia Social
Apesar da esmagadora maioria da
Arqueologia contemporânea acontecer a “reboque” de grandes obras, não devemos
esquecer que ela prossegue objectivos específicos relacionados com processos
educacionais, de produção de conhecimento e de salvaguarda patrimonial.
Mais de quinze anos passados
desde a emergência em Portugal de uma Arqueologia verdadeiramente profissional,
continua a ser inaceitável a ausência de legislação específica sobre a sua sociabilização. Entretanto, ocorreram enormes projectos de obras abrangendo
vastos territórios. De entre eles, destacam-se os casos da Barragem do Alqueva e
as inúmeras auto-estradas que rasgaram o país, de norte a sul. O que sabem as
populações sobre os milhares de sítios arqueológicos escavados e estudados? Que
repercussões sociais ocorreram? Quantos casos implicaram articulação com
escolas? Não tenhamos dúvidas: activar o Património passa por alterar
mentalidades, interagir com populações e estimular os envolvidos na decisão e
implementação de obras. No entanto, sem vontade política e legislação
orientadora de objectivos a atingir, será difícil aos que ensaiam experiências
por conta própria, atingir uma efectiva alteração da realidade.
Etiquetas:
Ciência Social,
Divulgação,
Educação Patrimonial
domingo, 4 de novembro de 2012
040 - Em tempo de mudança...um grande Colóquio
Os tempos não estão fáceis. Quase todos o sentimos.
No ano em que faz quinze anos, a ERA aventurou-se a
organizar um grande Colóquio internacional, a decorrer na próxima semana em Lisboa (http://www.era-arqueologia.pt/coloquio/). Dedicado a temáticas da
Pré-história recente, nomeadamente em torno dos fenómenos funerários
enquadrados em recintos delimitados por fossos ou outras estruturas, este
evento é, de alguma forma, o culminar da história da nossa empresa.
Começámos nos Perdigões. O tempo passou e, desde então, tem sido precisamente
em torno deste sítio e do seu tempo que aconteceram alguns dos mais espantosos
avanços no conhecimento que hoje temos sobre aquilo que, no actual território
português, aconteceu antes da nossa passagem por estas bandas: sociedades complexas, muito dinâmicas
e em crescente transformação. Há mais de cinco mil anos, o mundo estava a mudar e a nossa perspectiva
sobre o que então se passava tem-se alterado. Tenho particular orgulho no papel que a
ERA e as suas equipas desempenharam e continuam a desempenhar, nesse processo tão activo.
Quanto à organização do Colóquio, saliento todos os que,
dentro da ERA, colaboraram na sua organização. Foi um trabalho de equipa
liderada por António Valera: a ele devemos a ideia, a persistência e a
capacidade de romper fronteiras.
Aos convidados portugueses e de tantos outros países
europeus agradecemos a disponibilidade para desbravar novos horizontes, a
partir do debate de ideias.
A todas as entidades que colaboraram, um agradecimento
especial. Um destaque final para a Fundação Calouste Gulbenkian.
Etiquetas:
Arqueologia empresarial,
Colóquios e congressos,
Conhecimento
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular
O NIA, Núcleo de Investigação da Era Arqueologia, está neste momento a participar no VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, em Villafranca de los Barros (Badajoz), através da apresentação de quatro comunicações e um poster.
Juntamente com Ana Maria Silva, Ana Isabel Fernandes e Victor Filipe, António Valera apresentará a comunicação: "Os Hipogeus Neolíticos do núcleo C do Sítio Outeiro Alto 2: Práticas funerárias e paleobiologia dos restos ósseos recuperados".
O sítio arqueológico do Outeiro Alto 2 foi identificado em contexto de trabalhos de minimização da execução do Bloco de Rega de Brinches e intervencionado pela Era Arqueologia S.A. Revelou-se um local complexo, constituído por um recinto com fosso, fossas e hipogeus de cronologias e morfologias diversas. Foram definidos quatro núcleos de estruturas negativas (A,B,C e D) com cronologias que vão desde o Neolítico final até à Idade do Bronze. O presente trabalho aborda os 3 hipogeus identificados no núcleo C e cujos materiais associados sugerem uma cronologia do Neolítico final. Estes hipogeus revelaram inumações primárias e diversos ossos humanos desarticulados, provavelmente consequência de manipulações intensas ao longo do tempo. Será também apresentado e discutido o perfil biológico dos restos ósseos humanos exumados destes três hipogeus, como contributo para a caracterização dos indivíduos que foram sepultados nestes túmulos.
António Valera e Ana Maria Silva apresentarão ainda a comunicação: "A temporalidade dos Recintos dos Perdigões: cronologia absoluta de estruturas e práticas".
Nesta comunicação será apresentado um conjunto alargado de datações de radiocarbono relativas a várias estruturas dos recintos de fossos dos Perdigões. Estas datações são referentes a vários fossos e estruturas funerárias, permitindo aprofundar a temporalidade deste importante sítio arqueológico. Dispõe-se, agora, de uma sequência que revela uma longa diacronia de ocupação, desde o Neolítico Final até ao Calcolítico final / Idade do Bronze, ao mesmo tempo que se começa a delinear o desenvolvimento espacial do sítio ao longo dessa cronologia. Simultaneamente, este conjunto de datações permite começar também a ancorar no tempo a grande diversidade de práticas funerárias documentadas no sítio.
Com Lucy Shaw Evangelista, António Valera falará sobre o "Marfim no Recinto Calcolítico dos Perdigões (2): figuras antropomórficas e o problema da representação naturalista do corpo humano".
São apresentadas as figuras antropomórficas em marfim provenientes dos Perdigões, associadas a um conjunto de cremações datadas de meados / terceiro quartel do 3º milénio cal AC. Partindo da contextualização destas peças no contexto das produções de estatuária ideográfica do 3º milénio do Sul Peninsular, procura-se questionar a existência de um caminho de representações mais esquemáticas para outras mais naturalistas e uma procura da proporcionalidade do corpo humano nestas representações.
Articulando esta tendência com o carácter canónico da postura que estas representações antropomórficas parecem exibir, procurar-se-á explorar caminhos interpretativos sobre o desempenho social destas pequenas esculturas.
Ainda com Ana Maria Silva e com Tiago Tomé, António Valera vai apresentar os dados preliminares de um conjunto de inumações na região de Brinches, Serpa, numa comunicação designada "Práticas funerárias na Pré-História Recente do Baixo Alentejo".
Os últimos anos assistiram à descoberta e escavação de numerosos contextos funerários de cronologia pré-histórica no Baixo Alentejo, particularmente fruto do desenvolvimento de projectos de infraestruturas como aquelas relacionadas com o empreendimento da Barragem do Alqueva, entre outras.
Apresentamos aqui os resultados preliminares da análise que vem sendo desenvolvida no âmbito do projecto “Práticas Funerárias da Pré-História Recente no Baixo Alentejo e Retorno Sócio-Económico de Programas de Salvamento Patrimonial” (PTDC/HIS-ARQ/114077/2009), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, sobre os espólios osteológicos humanos provenientes de diversos contextos funerários do 4º ao 2º milénio a.C. da região de Brinches (Serpa), escavados em intervenções de minimização de impacto arqueológico levadas a cabo pela ERA – Arqueologia, Conservação e Gestão de Património.
Com base nos dados recolhidos em campo e posterior estudo laboratorial dos restos osteológicos humanos exumados, pretende-se contribuir para o conhecimento sobre as práticas funerárias e o perfil biológico dos indivíduos que foram inumados nesta região da Bacia do Guadiana na Pré-História Recente.
Finalmente, será apresentado um poster com o título "Os ossos humanos cremados da fossa 16 do recinto dos Perdigões: a quem pertenciam?", da autoria de Ana Maria Silva, António Valera, Inês Leandro e Daniela Pereira
Na área central do recinto dos Perdigões foi identificado uma fossa (16), contendo restos ósseos humanos, cerâmica e fauna diversa. A respectiva escavação veio revelar tratar-se de um depósito secundário correspondendo ao despejo de restos de ossos humanos cremados, restos faunísticos e cerca de meia centena de pontas de seta e fragmentos de ídolos em marfim, material que se apresentava igualmente intensamente queimado. O despejo deu origem a um formato cónico do depósito, cujas laterais foram depois preenchidas por outros 2 depósitos com escassos restos ósseos humanos mas abundantes restos faunísticos e alguma cerâmica.
Neste trabalho serão apresentados os resultados do estudo laboratorial dos restos ósseos humanos. Este revelou que todo o espólio ósseo humano esteve sujeito à acção de fogo, de diversa intensidade. Predominarem os vestígios ósseos sujeitos a altas temperaturas (> 900º), revelado pelas alterações registadas em termos de cor, tipo de fracturas e deformações. Este espólio terá pertencido a um mínimo de 9 indivíduos, 3 dos quais faleceram antes de atingir a idade adulta. Serão ainda apresentados algumas inferências sobre a prática funerária envolvida e dados demográficos, morfológicos e paleopatológicos dos restos ósseos recuperados.
Finalmente, será apresentado um poster com o título "Os ossos humanos cremados da fossa 16 do recinto dos Perdigões: a quem pertenciam?", da autoria de Ana Maria Silva, António Valera, Inês Leandro e Daniela Pereira
Na área central do recinto dos Perdigões foi identificado uma fossa (16), contendo restos ósseos humanos, cerâmica e fauna diversa. A respectiva escavação veio revelar tratar-se de um depósito secundário correspondendo ao despejo de restos de ossos humanos cremados, restos faunísticos e cerca de meia centena de pontas de seta e fragmentos de ídolos em marfim, material que se apresentava igualmente intensamente queimado. O despejo deu origem a um formato cónico do depósito, cujas laterais foram depois preenchidas por outros 2 depósitos com escassos restos ósseos humanos mas abundantes restos faunísticos e alguma cerâmica.
Neste trabalho serão apresentados os resultados do estudo laboratorial dos restos ósseos humanos. Este revelou que todo o espólio ósseo humano esteve sujeito à acção de fogo, de diversa intensidade. Predominarem os vestígios ósseos sujeitos a altas temperaturas (> 900º), revelado pelas alterações registadas em termos de cor, tipo de fracturas e deformações. Este espólio terá pertencido a um mínimo de 9 indivíduos, 3 dos quais faleceram antes de atingir a idade adulta. Serão ainda apresentados algumas inferências sobre a prática funerária envolvida e dados demográficos, morfológicos e paleopatológicos dos restos ósseos recuperados.
Etiquetas:
Arqueologia,
Colóquios e congressos,
Divulgação,
Investigação
Local:
Villafranca de los Barros
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
OS PERDIGÕES NAS ESCOLAS DE REGUENGOS DE MONSARAZ
Consideramos muito importante que o património arqueológico
faça parte da identidade das comunidades. Por isso, aceitámos o convite da Câmara Municipal para
integrar o encontro de recepção aos professores do agrupamento de escolas de
Reguengos de Monsaraz.
O objectivo da nossa participação cumpriu-se: numa
palestra muito orientada, o António Valera apresentou os Perdigões aos professores
adaptando as várias dimensões dadas pela interpretação do complexo arqueológico
a diversos conteúdos programáticos de diferentes níveis escolares. Com isto,
pretendemos sugerir que os Perdigões, como elemento unificador de uma vasta região,
possam ser a base de uma abordagem interdisciplinar no ensino.
Encontramo-nos a trabalhar conjuntamente com as escolas da
região no sentido de viabilizar esta proposta, no sentido de tornar os
Perdigões uma presença permanente na comunidade.
Ao longo deste ano lectivo, iremos orientar e colaborar numa série de actividades destinadas ao público escolar e os Perdigões serão o cenário de todas elas.
Aqui faremos, sempre que possível, a "revisão da matéria dada".
Etiquetas:
Educação Patrimonial,
Escolas,
Património
sexta-feira, 13 de julho de 2012
037 - Arqueologias de costas voltadas
Sem investigação a Arqueologia não faz sentido.
Considero que um dos problemas mais graves da Arqueologia
portuguesa assenta no facto das problemáticas inerentes à investigação
científica não serem plenamente condicionantes nem condicionadas pela
esmagadora maioria das intervenções arqueológicas que são realizadas no nosso
país. Centenas de sítios arqueológicos são anualmente escavados de forma desgarrada,
sem programa específico e sem profissionais devidamente preparados para os
abordar de forma adequada às suas potencialidades. Por isso, o conhecimento
adquirido é tendencialmente incipiente. Por isso, desperdiçamos dia a dia hipóteses
de progredir no conhecimento do passado do nosso território e das populações
que nele habitaram. Por isso, o nosso Património arqueológico pode estar a ser “inconscientemente”
delapidado.
É evidente que não se identificam os sítios porque não
estamos preparados para os identificar. Por isso, sem capacidade de analisar a
realidade, retemos uma visão totalmente parcial dos vestígios arqueológicos e
daquilo que estes nos contam sobre o passado. Assim, a História que produzimos torna-se
mais pobre.
A solução passa por articular investigadores especializados
com profissionais de Arqueologia Aplicada. Tal seria possível desde o despontar
dos projectos, quase sempre relacionados com obras, a partir de uma renovada
exigência dos Arqueólogos em relação à sua profissão e da tutela do Património
em relação à sua responsabilidade legal. Por isso, a apreciação dos planos de
trabalho e das equipas propostas para a sua concretização deveria ser mais
rigorosa e exigente; por isso, também deveria ser fortemente incrementada a
relação entre universidades e empresas de Arqueologia.
Não esqueçamos que a dinâmica da nossa Arqueologia é enorme.
As intervenções sucedem-se. As descobertas relevantes são imensas. E os resultados
em termos científicos poderiam ser enormemente ampliados com os recursos de que
dispomos actualmente.
Etiquetas:
Arqueologia empresarial,
Investigação,
Profissão
quarta-feira, 27 de junho de 2012
036 - Diagnósticos arqueológicos válidos?
A experiência acumulada em Portugal em termos de diagnósticos arqueológicos realizados em grandes obras públicas, nomeadamente em auto-estradas, barragens, grandes sistemas de rega, etc., suscita alguma reflexão.
Genericamente, os diagnósticos são realizados tardiamente, raramente contribuindo para a ponderação das decisões finais relativas aos projectos de obras.
Realizando-se, normalmente, após aprovação dos projectos de obras, são apenas uma fase dos processos de escavação arqueológica de minimização de impactos, desvirtuando-se a sua natureza prospectiva e de antecipação.
Normalmente, a execução de diagnósticos está colada à identificação superficial de vestígios arqueológicos ocorridos em fases de prospecção enquadradas nos estudos prévios ou paralelos à elaboração dos projectos; sabemos hoje que a maioria dos sítios arqueológicos são identificados em fases de obra...
Sendo a maioria dos sítios arqueológicos enquadrados em áreas a afectar por obras identificados tardiamente, deveríamos concluir que as estratégias que têm sido aplicadas apresentam deficiências. Por isso, deveremos rever as formas de actuação ao nível dos diagnósticos arqueológicos, tornando-os verdadeiramente úteis para a salvaguarda do Património e inequivocamente consequentes ao serviço do planeamento e execução de obras.
Para que os diagnósticos sejam de facto consequentes e úteis, deveríamos exigir resultados mais seguros dos diagnósticos através da diversificação das ferramentas metodológicas aplicadas e da ampliação das amostragens mínimas necessárias, valorizando-se mais as incertezas perceptíveis em áreas nas quais nada se conhece à superfície.
Os diagnósticos, quer sejam concretizados através de acções intrusivas como as escavações arqueológicas, quer sejam obtidos por métodos não intrusivos como as prospecções geofísicas, deveriam ser encarados como verdadeiras ferramentas de trabalho e não como um fim em si mesmos.
A título de exemplo, aqui ficam duas imagens de diagnósticos realizados no traçado de auto-estradas. No primeiro caso, temos um diagnóstico realizado em Portugal; no segundo caso, temos a abordagem implementada em França. As diferenças são evidentes, provavelmente proporcionais aos resultados atingidos em termos de salvaguarda de Património e de segurança fornecida aos gestores de projectos de obras.
Genericamente, os diagnósticos são realizados tardiamente, raramente contribuindo para a ponderação das decisões finais relativas aos projectos de obras.
Realizando-se, normalmente, após aprovação dos projectos de obras, são apenas uma fase dos processos de escavação arqueológica de minimização de impactos, desvirtuando-se a sua natureza prospectiva e de antecipação.
Normalmente, a execução de diagnósticos está colada à identificação superficial de vestígios arqueológicos ocorridos em fases de prospecção enquadradas nos estudos prévios ou paralelos à elaboração dos projectos; sabemos hoje que a maioria dos sítios arqueológicos são identificados em fases de obra...
Sendo a maioria dos sítios arqueológicos enquadrados em áreas a afectar por obras identificados tardiamente, deveríamos concluir que as estratégias que têm sido aplicadas apresentam deficiências. Por isso, deveremos rever as formas de actuação ao nível dos diagnósticos arqueológicos, tornando-os verdadeiramente úteis para a salvaguarda do Património e inequivocamente consequentes ao serviço do planeamento e execução de obras.
Para que os diagnósticos sejam de facto consequentes e úteis, deveríamos exigir resultados mais seguros dos diagnósticos através da diversificação das ferramentas metodológicas aplicadas e da ampliação das amostragens mínimas necessárias, valorizando-se mais as incertezas perceptíveis em áreas nas quais nada se conhece à superfície.
Os diagnósticos, quer sejam concretizados através de acções intrusivas como as escavações arqueológicas, quer sejam obtidos por métodos não intrusivos como as prospecções geofísicas, deveriam ser encarados como verdadeiras ferramentas de trabalho e não como um fim em si mesmos.
A título de exemplo, aqui ficam duas imagens de diagnósticos realizados no traçado de auto-estradas. No primeiro caso, temos um diagnóstico realizado em Portugal; no segundo caso, temos a abordagem implementada em França. As diferenças são evidentes, provavelmente proporcionais aos resultados atingidos em termos de salvaguarda de Património e de segurança fornecida aos gestores de projectos de obras.
Etiquetas:
Arqueologia empresarial,
Planeamento e Gestão
terça-feira, 19 de junho de 2012
0035 - NIA em congressos
No âmbito dos projectos FCT que desenvolve, o NIA estará presente no Encontro Anual da Associação Europeia de Arqueólogos, com duas comunicações e um poster:
Impact evaluation approaches to “negative” archaeological contexts
(session: Methodology in Preventive Archaeology: Archaeological Evaluations)
Anthropomorphic figurines at Perdigões Chalcolithic enclosure: realistic human proportion and body canonical posture and look as forms of ideological language. (session: Body Categories and Identities, Health, and Society in Ancient Europe)
Deposition of cremated human remains at Perdigões chalcolithic enclosure (South Portugal) (em colaboração com o CIAS)
(session: Cremation in European Archaeology)
terça-feira, 17 de abril de 2012
0034 - Workshop de Arqueologia na EB1/JI das Galinheiras/ Ameixoeira, Lisboa
Seguindo com a nossa convicção de que é fundamental comunicar a arqueologia, a Era-Arqueologia, S.A. continua a desenvolver, em parceria com o Projecto Tesouros da Ameixoeira, acções no âmbito da Educação Patrimonial junto dos mais pequenos. Aqui fica um vídeo da sessão que fizemos na EB1/JI das Galinheiras (freguesia da Ameixoeira, Lisboa). Eles gostaram... e nós também!
quarta-feira, 28 de março de 2012
0033 - NIA nas Universidades
O NIA tem como uma das suas funções a articulação com o mundo universitário, tanto no plano da investigação como no da formação. Tarefa que desenvolve no plano nacional e internacional.
No corrente mês de Março as problemáticas relativas aos recintos de fossos da Pré-História Recente portuguesa foram apresentadas na Universidade de Bradford e na Universidade de Oxford, em Inglaterra.
Durante o mês de Abril as conferências transferem-se para Universidades portuguesas. A 12 de Abril, pelas 17.30 na Universidade do Algarve, e a 18 de Abril, pelas 14.30 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto" será apresentada a conferência "Os Perdigões e os seus contextos: um olhar problematizante". No dia 26 de Abril será a vez da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, pelas 18.00, com a conferência "Abordagem arqueoastronómica aos recintos da Pré-História Recente.
Nelas apresenta-se investigação: novos dados empíricos, reflexão e problematização, enunciados de síntese (como sempre, dotados de precaridade). De facto, é possível fazer boa ciência e ter uma projecção e valorização nacional e internacional, em contexto empresarial.
Não é, seguramente, fácil. Mas é possível
Etiquetas:
Arqueologia empresarial,
Conhecimento,
Investigação
quinta-feira, 22 de março de 2012
0032 - O que fazer com os espólios?
Esta é uma pergunta perturbadora. Na Arqueologia portuguesa abundam os tabus, certos assuntos de que quase ninguém fala. Um deles é o da vacilante política de gestão de espólios.
A situação é, genericamente, desastrosa: descontrolo sobre inventários e locais de depósito; descontrolo relativamente às condições ambientais dos depósitos; descontrolo no que respeita à segurança dos locais de reserva. O Estado, a que cabe a guarda dos materiais arqueológicos resultantes de escavações, a sociedade em geral e o meio científico não sabem o que temos em depósito, em que estado de conservação se encontram os materiais, quem tem colecções ilegalmente na sua posse ou que artefactos já terão sido roubados ou traficados...no entanto, as consciências parecem estar tranquilas. É um silêncio ensurdecedor.
Como em tudo, devemos saber tomar e assumir opções. O absoluto não existe em Arqueologia (como provavelmente em quase nada na vida) daí que seja impossível idealizar que registamos, recolhemos e guardamos tudo. Dispomos dos meios técnicos e científicos do nosso tempo e estamos limitados logística e financeiramente pelo nosso contexto. Como somos homens, muito nos escapa e lemos a realidade de acordo com as nossas limitações. E sendo a realidade imensa, certamente será impossível guardar tudo. É, seguramente, uma missão impossível.
Parece-me preferível reenterrar, de forma criteriosa e selectiva, materiais arqueológicos recolhidos. É preferível fazê-lo, de forma assumida e consciente, a manter uma hipócrita postura de grande preocupação pelo tratamento dos mesmos, esquecendo as condições de que se dispõe para os armazenar e preservar. A ERA-Arqueologia entrega regularmente colecções nos mais inacreditáveis depósitos legais: lavados, marcados, acondicionados, contentorizados. Quantos anos resistirão às péssimas condições? Para quê o faz de conta? Porque será que quase nunca se fala deste assunto, em que o Estado é responsável perante a lei? Porque será que a tutela da Arqueologia continua, ano após ano, a permitir que arqueólogos e empresas de Arqueologia não cumpram a lei?
Não esqueçamos, no entanto, que futuras opções a tomar, mesmo que assumidas, não devem nunca branquear baixos níveis de exigência da nossa Arqueologia. Para isso não contém com a ERA.
quinta-feira, 8 de março de 2012
0031 - A Era regressa à Ameixoeira

A Era-Arqueologia realizou mais uma sessão com o público mais novo, destinada a transformar o contacto com a Arqueologia e com a Pré-história numa experiência divertida e de elevado potencial didáctico. Na deslocação à EB1/JI das Galinheiras (freguesia da Ameixoeira, Lisboa) o objectivo foi transmitir conhecimentos sobre a Arqueologia e a Pré-história de forma amena e divertida e assim despertar a curiosidade sobre os temas arqueológicos e promover o respeito pelo património histórico-arqueológico. Na base está a ideia de que não se pode gostar daquilo que não se conhece.
Contámos aos alunos o que é que fazem os arqueólogos, donde é que vem a informação que encontram nos seus livros de história, de que maneira é que os objectos que encontramos enterrados podem contar histórias sobre o passado, o que diriam os objectos que usamos se fossem interpretados por arqueólogos do futuro, o que é uma estratigrafia arqueológica, etc.
A experiência diz-nos que esta abordagem pragmática, para além de promover uma compreensão mais profunda sobre a intensa ocupação, ao longo de milhares de anos, do território que hoje habitamos, gera uma vinculação positiva entre as crianças e o património arqueológico que subjaz a todos os passos do seu dia-a-dia e que devem cuidar e respeitar.
Esta iniciativa integra-se na parceria que a Era Arqueologia mantém, há já algum tempo, com o projecto Tesouros da Ameixoeira(http://www.facebook.com/tesouros.ameixoeira).

Coordenação de Projecto: Lucy Evangelista e Mafalda Capela
Etiquetas:
Arqueologia,
Educação Patrimonial,
Escolas
terça-feira, 6 de março de 2012
0030 - Mais madeira, mais informação, mais conhecimento.

Em Lisboa, em área adjacente ao Mercado da Ribeira, a ERA continua a realizar trabalhos de acompanhamento arqueológico de obras e de escavações arqueológicas, sempre a natureza e relevância dos contextos o justifica. Os elementos agora postos a descoberto, caracterizados por uma ampla e complexa estrutura de madeira, ajudarão a contar a história da relação de Lisboa com o seu rio, nomeadamente ao nível do comércio e da construção e reparação na naval. O projecto de Arqueologia prossegue, plenamente articulado com a obra.
domingo, 4 de março de 2012
0029 - Oportunistas ou irresponsáveis?

A Arqueologia estrutura-se, em parte, a partir de fontes que são finitas. De facto, por muitos restos que nos cheguem dos vários períodos históricos que nos antecederam, a sua descoberta, normalmente atingida através de escavações, vai “consumindo” as nossas possibilidades de abrir essas janelas sobre o passado. Por isso mesmo, a escavação de um sítio arqueológico, nomeadamente de contextos particularmente raros, deve ser muito bem ponderada: se estamos perante um recurso finito e limitado, devemos assumir uma postura de humildade ao proceder à sua efectiva eliminação. Não esqueçamos que qualquer escavação arqueológica é irrepetível; aquilo que hoje escavamos só poderá ser revisitado através do que registarmos.
Não tenho dúvidas em considerar que a Arqueologia portuguesa assenta em relativamente baixos níveis de exigência. Poucos o discutem e ainda menos são os que procuram alterar o estado de coisas. Por isso, os resultados finais dos projectos ficam demasiadamente sujeitos aos critérios das diversas equipas que vão actuando por este país fora, favorecendo-se os mais incompetentes ou oportunistas. Em casos como os da ERA, temos preocupações e uma Visão do que é o papel de responsabilidade, exigência e de inovação que devemos desempenhar. Mas outros casos existem em que a Arqueologia mais não é do que uma actividade de afectação de mão-de-obra em que nada se procura atingir do ponto de vista do conhecimento do passado.
A gestão dos sítios arqueológicos é também uma gestão de fontes de informação. Em muitos casos, é em fase de Estudo de Impacto Ambiental que as decisões começam a ser mal tomadas, sendo muitos os exemplos de más decisões assentes em informação muito limitada, apesar das hipóteses de efectiva recolha prévia de dados consistentes. Disso são exemplo os casos de grandes sítios arqueológicos que estão a ser escavados no âmbito da construção de várias auto-estradas, sem que nada deles tenha sido detectado em fase de avaliação prévia. Ou seja, fazem-se os estudos, tomam-se as decisões sobre grandes obras e, depois, em fase de obras, quando as opções são muito limitadas, surgem os problemas porque aparecem os sítios que ninguém detectara. Então, o tempo já é escasso, os recursos financeiros não estão disponíveis porque não foram previstos e os trabalhos que se realizam acabam por ser limitados à recolha dos dados mais evidentes e à elaboração de relatórios muito superficiais.
Estaremos a ser conscienciosos com a gestão de fontes de informação finitas? Estaremos a gerir correctamente o nosso território, tendo em consideração que nele residem tais janelas para o passado? Estará a nossa sociedade a beneficiar com a actual gestão dos recursos? E que pensarão os nossos herdeiros das decisões que tomamos? Por tudo isto, julgo que devíamos ser muito mais exigentes com o nosso tempo e com as nossas opções. Que deveriam ser muito mais debatidas e partilhadas socialmente. Não estaremos a ser, sobretudo, oportunistas e irresponsáveis?
Etiquetas:
Ciência Social,
Conhecimento,
Profissão
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
0028 - Arqueologia na zona ribeirinha de Lisboa
As obras na zona ribeirinha de Lisboa implicam, por princípio, a realização de trabalhos arqueológicos. Nesse contexto, as ínumeras intervenções já realizadas pela ERA têm permitido importantes avanços no conhecimento da forma como Lisboa se foi relacionando, ao longo dos séculos, com o Rio Tejo. O recente aparecimento de estruturas de cariz portuário na zona do Mercado da Ribeira é disso um excelente exemplo, devendo ser destacado o amplo conjunto de construções de madeira que remontam, pelo menos, ao século XVI. Aqui, lodos e água permitiram a conservação de elementos que raramente chegam aos arqueólogos.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
0026 - Arqueologia, para quem?

Lisboa assistiu, nos últimos anos, à concretização de uma enorme quantidade de projectos de Arqueologia Urbana. Quase todos decorreram a propósito e em paralelo a intervenções de reabilitação ou requalificação urbana. A cidade muda e as intervenções sucedem-se, por vezes em torno de contextos arqueológicos de enorme importância científica e patrimonial. A ERA tem assumido a condução de diversas intervenções, algumas delas de grande envergadura e com impacto nítido em processos de produção de conhecimento.
Lisboa é um caso paradigmático e espelho das virtualidades e problemas da Arqueologia portuguesa. Formalmente existem níveis de exigência muito razoáveis, investe-se e concretizam-se muitas intervenções arqueológicas. No entanto, e Infelizmente, o cidadão comum de pouco ou nada vai sabendo: nem das pequenas ou enormes escavações, nem daquilo que permitem contar sobre o passado da sua cidade. A Arqueologia acontece escondida por tapumes, cristalizando-se em relatórios técnicos para arqueólogos.
A ERA tem procurado romper com este estado de coisas, indo para além das publicações científicas ou apresentações em congressos. Por isso, sempre que possível e quando os clientes aceitam, os trabalhos são devidamente sinalizados com informação específica para o público. É raro e muito pouco. Temos que ir claramente mais longe, demonstrando aos clientes que o seu investimento em Arqueologia pode ter como retorno muito mais do que um mero papel autorizando a sua obra a prosseguir.
Devemos insistir em mudanças de fundo que permitam activar publicamente a Arqueologia. De facto, não deveriam a tutela do Património e Arqueologia e a Associação Profissional de Arqueólogos estar empenhadas neste processo? Não deveria a legislação ser revista passando a enquadrar a Arqueologia, de forma inequívoca, como actividade ao serviço do cidadão? Não deveriam os processos de minimização de impactes sobre bens arqueológicos implicar, como obrigação por parte dos promotores, uma clara divulgação do que é concretizado e dos resultados produzidos? Não deveria a Arqueologia ser vista por todos, tornando-se verdadeiramente um bem Público?
Afinal, para que serve a Arqueologia?
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
0025 - International Meeting
“Recent Prehistory Enclosures and Funerary Practices”
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisbon
6 to 8 of November 2012.
APRESENTAÇÃO dos CONTEXTOS
Na apresentação de contextos podem ser vistas imagens de sítios que serão abordados durante o encontro e as respectivas localizações na Europa.
Na apresentação de contextos podem ser vistas imagens de sítios que serão abordados durante o encontro e as respectivas localizações na Europa.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
0024 - A ERA e a Investigação Aberta nos Perdigões

O NIA (Núcleo de Investigação Arqueológica) da ERA, promoveu, em associação com o Departamento de Ciências da Vida (Antropologia) mais um ciclo de comunicações sobre resultados do projecto de investigação conjunto e em curso "Gestão da morte na Pré-História Recente: práticas funerárias no recinto dos Perdigões". Foi hoje, durante toda a tarde, na Universidade de Coimbra. Com cerca de 120 pessoas, principalmente estudantes universitários, foi possível dar conta dos resultados provisórios do projecto em curso e discutir problemas de fundo em termos de interpretação de fenómenos complexos e com inúmeras possibilidades de abordagem.
Os Perdigões são já um caso de estudo na forma como é idealizada e prosseguida a investigação científica em Portugal, efectivamente aberta a diferentes investigadores, com múltiplas abordagens, de diversificadas instituições e de vários países.
O nosso conceito de Projecto de Arqueologia em Construção implica também abertura ao exterior e o prestar de contas durante os processos de investigação, algo que ainda é difícil de gerir por parte de muito investigadores por esse mundo fora. Ou seja, não queremos processos desgarrados de investigação, fechados sobre si próprios e de resultados partilhados apenas entre pares. Idealmente, queremos mostrar como se faz investigação e como se constrói conhecimento. De alguma forma foi isso que hoje aconteceu em Coimbra. No Verão, durante as próximas escavações nos Perdigões, procuraremos comunicar especificamente para a população de Reguengos de Monsaraz.
A ERA-Arqueologia tem nos Perdigões um projecto “talismã”. Foi o nosso primeiro projecto e continua a ser uma das nossas “bandeiras”. E através dele verificamos sempre que a nossa Visão de uma Arqueologia virada para a sociedade é o único caminho sustentável. Ainda temos muito a construir nos Perdigões; mas através dele e de tantos e tantos projecto que a ERA já realizou, está demonstrado que este é o caminho: investigar, criar conhecimento, divulgar e ambicionar um Património para todos.
Etiquetas:
Arqueologia empresarial,
Divulgação,
Projectos em curso
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
0023 - Colóquio Internacional
“Recent Prehistory Enclosures and Funerary Practices”
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisbon
6 to 8 of November 2012.
Colóquio organizado pelo NIA. Ver programa e ficha de inscrição aqui
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisbon
6 to 8 of November 2012.
Colóquio organizado pelo NIA. Ver programa e ficha de inscrição aqui
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















