terça-feira, 13 de maio de 2014

062 12º Colóquio Era: Resumos


O 12º Colóquio da Era decorrerá já esta sexta-feira (dia 16), no Auditório Caixa Geral de Depósitos, no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão).



Entretanto, não deixem de consultar os resumos das comunicações a ser apresentadas.


Justificação e Objectivos de um projecto FCT
António Carlos Valera
 
 Serão apresentadas as razões que conduziram à concepção e desenvolvimento do projecto “Práticas funerárias da Pré-História Recente no Baixo Alentejo e retorno sócio-económico de programas de minimização de impactes” aprovado e financiado pela FCT e os objectivos que se pretenderam alcançar. Esta comunicação servirá de introdução às quatro que se seguem e que apresentarão resultados de uma das dimensões de investigação que integraram o projecto.
 

Arqueologia de Salvamento: Oportunidade Estratégica ou Custo Afundado?
Patrícia Caldeira Jorge
 
A Arqueologia de Emergência é vista como um custo irrecuperável, algo que se cumpre para não incumprir. Mas e se dela puder emanar um admirável mundo novo de alternativas que torna o custo de oportunidade de não fazer nada incomportável para o promotor e para a sociedade? Quanto custa a uma comunidade ou a um promotor perder a oportunidade de se diferenciar ou de criar novos produtos e serviços? A Arqueologia deve estar ao nível do pensamento estratégico, toca nas pessoas, nos seus valores e na sua ética, o que de mais nobre uma marca quer transmitir ao mercado ou um lugar pode ambicionar. Numa altura em que tanto se escrutinam as questões da sustentabilidade pode continuar a passar-se ao largo da riqueza de conhecimento gerado pela arqueologia de salvamento e não a accionar? Como as regiões podem dar alento a novos projectos e às suas gentes a partir do conhecimento gerado: a Arqueologia como rastilho do ânimo económico, exemplos paradigmáticos.
 

O Valor Social de Programas de Valorização do Património Cultural: O Caso de Brinches e Sobreira de Cima
Isabel Mendes  and Manuel Coelho
Lisboa School of Economics and Management, University of Lisbon

Nesta comunicação, pretendemos analisar as alterações no bem-estar das comunidades locais, associadas à implementação de um hipotético programa de valorização do conhecimento arqueológico obtido através de actividades de arqueologia de salvação, implementadas na região de Brinches e de Sobreira de Cima. Para tal, usaremos um dos métodos de quantificação monetária de externalidades, o método da Valorização Contingencial (VC). Este método baseia-se na análise qualitativa e quantitativa das preferências que as pessoas expressam por alterações no capital natural e patrimonial, permitindo quantificá-las num único valor monetário. Este valor monetário é uma proxi para o valor económico do programa de valorização hipotético proposto e para as alterações do bem-estar das populações a ele associadas. A população da região mais directamente afectada pelo programa demonstrou ter uma preferência positiva relativamente elevada pelo programa, declarando uma disposição individual máxima em contribuir mensalmente e durante cinco anos para o co-financiamento da sua hipotética entidade gestora, com 0.66 (1.24) euros. Concluímos que o programa tem um valor aproximado de 1 325 339,63 euros (2 490 032,04 euros). As nossas estimativas são coerentes com outras, como o demonstra a análise da literatura e da prática da valorização económica de decisões que impliquem alterações no património cultural. Estas estimativas deverão ser, no entanto, utilizadas com os cuidados de utilização habituais para qualquer estimativa obtida com base nestes métodos de valorização económica de alterações do bem-estar social. As estimativas podem ser utilizadas no processo de tomada de decisão sobre o património cultural da região, ao facilitar as respostas a questões como: deverá a sociedade gastar recursos escassos com a valorização cultural, quando a quantidade e o tipo de benefícios, e o retorno dos respectivos investimentos, são imprevisíveis e de difícil percepção e de quantificação? Que entidades deverão financiar o processo de valorização? Até que ponto as comunidades estão dispostas a aceitar e a comprometer-se, activamente, no processo de valorização?

Uma questão de comunicação....para começar a conversa!!!
Ana Calapez Gomes
A construção e sustentação de redes de entidades heterogéneas é indispensável tanto ao financiamento como à implementação de projetos de desenvolvimento a nível territorial. A questão da qualidade do fluxo de informação e comunicação entre as partes envolvidas, a nível local e não só, decorre desta necessidade, assim como a confiança indispensável a qualquer ação baseada na cooperação.
Portugal tem uma velha tradição de isolamento grupal associado a uma diferenciação social e de poder muito marcada, o que dificulta o estabelecimento de relações entre pares cooperantes. A região do Alqueva não foge a esta regra.
Com base na análise de conteúdo de 35 entrevistas semidirigidas constatámos a inexistência de conflitos fraturantes na região, no entanto, os fluxos de comunicação apresentam apenas um sentido horizontal (entre pares) e vertical (de cima para baixo). A comunicação vertical (de baixo para cima) é escassa e os fluxos transversais praticamente inexistentes. Sendo assim, as condições para a criação de redes de atores sociais cooperantes não estão criadas, pelo que advogamos uma intervenção/ acompanhamento baseado em entidade apercebida como neutral.

Criatividade e clustering na valorização turística em arqueologia de salvamento
Idalina Dias Sardinha, David Ross, Sandra Loureiro

O património arqueológico representa actualmente uma parte importante da oferta turística do Baixo Alentejo.
A intervenção arqueológica decorrente dos estudos de impacte ambiental da barragem do Alqueva produziu resultados que permitem compreender melhor a história da ocupação humana deste território, apresentando potencial para enriquecer a oferta de actividades culturais e turísticas com base na arqueologia. Porém, tendo em conta que a maior parte dos achados foi destruída para dar lugar às infraestruturas da barragem e sistema de rega, a sua valorização turística não é possível nos moldes tradicionais (i.e. visita a locais arqueológicos).
Para compreender como se pode valorizar esse património arqueológico inacessível aplicou-se uma abordagem com base em: entrevistas semi-dirigidas aos stakeholders regionais do turismo e património e aos promotores de obras responsáveis pelos estudos de impacte ambiental efectuados; foi também aplicado um questionário a turistas e residentes na região.
Os resultados fundamentais mostram que há interesse por parte dos inquiridos em integrar o conhecimento arqueológico na oferta turística existente, bem como os desafios inerentes, e indiciam a existência de um proto micro-cluster de turismo arqueológico na região. Após análise crítica e comparativa com outros trabalhos, estes resultados sugerem que a valorização deste recurso intangível deve passar por: i) uma abordagem de valorização inovadora à luz do turismo criativo; e ii) um trabalho de cooperação entre os actores envolvidos num processo de crescimento e clustering temático.
Este trabalho apresenta as limitações, estrutura e condições para esta abordagem criativa e processo de clustering.


O hipogeu calcolítico do Monte da Comenda 3

Sandrine Fernandes e Sónia Ferro



Quinta do Estácio 6. Exemplo de longa diacronia de um espaço de necrópole (Calcolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro)
Tiago do Pereiro e Rui Mataloto

O sítio Quinta do Estácio 6 (Beja) foi intervencionado por uma equipa Era Arqueologia/Omniknos no âmbito de trabalhos de minimização de impactes sobre o património arqueológico decorrentes da construção do Circuito Hidráulico Baleizão-Quintos e Respectivo Bloco de Rega (EDIA). Em cerca de 1.5km de vala aberta foram identificadas cerca de 168 estruturas perfazendo um total de 378m2 de área escavada. Estas estruturas apresentavam uma ampla diacronia, desde o Neolítico Final até à Época Romana, representado por estruturas de âmbito doméstico e contextos funerários. Nesta apresentação dar-se-á destaque aos contextos funerários, nomeadamente à Necrópole da Idade do Ferro, representada por 2 Recintos e oito sepulturas.


A produção de cal no período romano – O sítio do Magra 3 (Baleizão)
Lúcia Miguel

O sítio do Magra 3 corresponde a uma área industrial vocacionada para a extração e transformação da pedra calcária em cal, com uma dinâmica de ocupação enquadrada no séc. I d. C, na qual é possível distinguir áreas de combustão, áreas de despejo e áreas de extração de matéria-prima.
Neste local foram identificados 8 fornos, implantados numa vertente relativamente acentuada no sentido de facilitar o acesso por baixo à câmara de combustão, escavados directamente no substrato rochoso, sendo ainda percetíveis em algumas zonas restos de argila de revestimento.
A escavação destes fornos permitiu a identificação de várias fases de ocupação, percetíveis através das remodelações e reconstruções existentes, sobretudo no que diz respeito às antecâmaras de acesso aos mesmos.
A datação obtida para este local (meados do séc. I d.C) aponta inequivocamente para uma utilização intensiva destinada ao abastecimento da cidade de Pax Julia (actual Beja).


Fracassos e novas práticas: repensar a avaliação de impactes em arqueologia
Miguel Lago

Pretende-se analisar os principais problemas que se têm colocado ao longo dos anos às equipas de avaliação de impactes e de gestão de projectos de obras que incluem componentes de arqueologia. Em Portugal os vestígios arqueológicos relevantes são, na maioria dos casos, detectados em fase de obras, decorrendo desse facto decisões mal ponderadas e informadas bem como constrangimentos à gestão dos projectos e à monitorização das medidas de minimização. Este problema tem origem na forma deficiente como são elaborados os Estudos de Impacto Ambiental. Face à experiência acumulada pela ERA Arqueologia pondera-se uma alteração de paradigma e apresenta-se um modelo de actuação mais eficiente que forneça aos parceiros envolvidos nestes processos e na execução de obras novas perspectivas de decisão e de gestão de projectos.



Vinte anos de arqueologia empresarial.
Henrique Pestana

Uma visão pessoal do desenvolvimento da atividade de arqueologia empresarial em Portugal na perspetiva do gestor e empresário: as relações entre os diferentes atores, a evolução do modelo de negócio e cenários para o futuro.
 

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