quinta-feira, 25 de outubro de 2018

086 - Apresentações do NIA ao X EASP


O NIA-ERA apresentará 3 comunicações ao X Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, a realizar em Zafra no próximo mês de Novembro.

Duas das comunicações versarão sobre o Complexo Arqueológico dos Perdigões:

"O sepulcro 4 dos Perdigões: arquitectura, uso e reutilização tardia de um tholos", por António Carlos Valera, Ricardo Godinho, Ana Catarina Basílio, Lucy Evangelista.

"Tell me what you see: a deposição tardia de uma peça metálica atípica nos Perdigões", por Ana Catarina Basílio, António Carlos Valera.

A terceira será sobre a realização de prospecções geofísicas em quatro recintos de fossos pré-históricos:

"Novas abordagens geofísicas a recintos de fossos no interior alentejano: os casos de Santa Vitória (Campo Maior), Coelheira 3 (Beja), Horta do Albardão (Évora) e Borralhos (Serpa)", por António Carlos Valera e Tiago do Pereiro.



sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

085 - Mais uma afectação de património arqueológico


Hoje deparei com mais uma afectação de um recinto de fossos (mais um dos grandes e complexos) no interior alentejano, realizada no âmbito das reconversões agrícolas. Poderão ver aqui a situação: http://portugueseenclosures.blogspot.pt/2017/12/0384-sad-christmas-present-in-winter.html

O problema continua o mesmo: o circuito de informação está desajustado. Os projectos agrícolas não passam por autarquias e tutela do património, que controlam a informação sobre o património arqueológico, mas pelo Ministério da Agricultura, que a ignora e, aparentemente, pretende continuar a ignorar. Os proprietários, com menor ou maior conhecimento, são os menos responsáveis, pois não há estratégia para articular com eles um verdadeiro projecto de compatibilização e de desenvolvimento sustentado (com atenção equilibrada a todas as variáveis envolvidas - e onde a ambiental também não é a menos preocupante).

A reconversão agrícola do Alentejo, tão fundamental para o desenvolvimento económico e social da região e do país, está a ser feita sem atenção à noção de Desenvolvimento Sustentável (quase a fazer lembrar as campanhas do trigo do século passado). A obliteração de património ocorre a um ritmo alucinante, sem que a respectiva tutela procure retificar o circuito administrativo que a permite. Não será do lado da agricultura que virá a iniciativa e desse lado, suspeito (por conversa informal com o responsável da pasta), não há grande interesse em fazer parte da solução.

A iniciativa terá que vir de um ministério da Cultura, que tutela o património e a prática aqueológica, mas que é habitado por um ministro invisível no que a estas matérias respeita (questiono-me mesmo se ele estará consciente que o património arqueológico é da sua responsabilidade política). Como escrevi no Editorial da revista Apontamentos de Arqueologia e Património que será lançada no início de Janeiro, o património arqueológico não tem advogado à mesa do Conselho de Ministros.

Diria que estamos numa fase de estímulo a um Alzeimer colectivo, de perca paulatina de memória. Um dramatismo menos mediático e imediato. Mas bem mais estrutural.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

084 - Encontros Era 2/2016

Já na próxima quarta feira, dia 9 de Novembro:


terça-feira, 12 de abril de 2016

083 - Encontros ERA 1/2016

Já no dia 20 de Abril na Sociedade de Goegrafia de Lisboa.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

082 - Publicado Nº 11 da Apontamentos

Foi publicado o número 11 da revista do NIA, Apontamentos de Arqueologia e Património.


Download aqui

Índice

António Carlos Valera
NOTA SOBRE UMA DECORAÇÃO INCOMUM NUM RECIPIENTE DOS PERDIGÕES

António Carlos Valera, Ever Calvo e Patrícia Simão
ENTERRAMENTO CAMPANIFORME EM FOSSA DA QUINTA DO CASTELO 1 (SALVADA, BEJA)

Lucy Shaw Evangelista, Miguel Lago e Lúcia Miguel
A ANTA DOS ENXACAFRES NO CONTEXTO DO MEGALISTISMO DA REGIÃO DE
GRÂNDOLA E SANTIAGO DO CACÉM: UMA PRIMEIRA NOTA 

Margarida Mendonça e António Faustino Carvalho
A COMPONENTE EM PEDRA LASCADA DOS MONUMENTOS FUNERÁRIOS 1 E 2 DO
COMPLEXO ARQUEOLÓGICO DOS PERDIGÕES (REGUENGOS DE MONSARÁZ)

Eliana Goufa e Francisco Rosa Correia
A INDÚSTRIA LÍTICA DO CASTRO DA COLUMBEIRA (BOMBARRAL, PORTUGAL):
DADOS PRELIMINARES E PERSPECTIVAS FUTURAS

Rui Ramos
QUINTA DE SÃO LOURENÇO 2:
UM SÍTIO DE FOSSAS DA IDADE DO BRONZE NO CONCELHO DE BRAGANÇA

Elisa de Sousa e Marina Pinto
A OCUPAÇÃO DA IDADE DO FERRO NA COLINA DO CASTELO DE SÃO JORGE (LISBOA, PORTUGAL): NOVOS DADOS DAS ESCAVAÇÕES REALIZADAS NA RUA DO RECOLHIMENTO / BECO DO LEÃO

Elisa de Sousa, Alexandre Sarrazola e Inês Simão
LISBOA PRÉ-ROMANA: CONTRIBUTOS DAS INTERVENÇÕES ARQUEOLÓGICAS NA

RUA DA MADALENA

terça-feira, 5 de abril de 2016

081 - NIA em Congressos: Sal em Sevilha

No final de Maio o NIA estará presente num colóquio sobre o Sal na Pré-História a realizar em Sevilha.



segunda-feira, 30 de novembro de 2015

080 - Perdigões: fratura na perna de um cão





Novo pormenor da micro-história dos Perdigões é revelado

No âmbito do Programa Global de Investigação dos Perdigões, prossegue o estudo da Fossa 45 do sector Q, de cronologia Calcolítica, onde foi recuperado um enterramento completo de cão. Este cão apresentava uma patologia no fémur esquerdo: uma fractura parcialmente consolidada.

A deslocação à Faculdade de Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa e a consulta de especialistas em anatomia patológica e cirurgia ortopédica ajudou os investigadores a compreender o estado de regeneração óssea da fractura. Em breve teremos novidades.


              


     
                             

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

079 - Os mortos dos Perdigões e a exposição a mercúrio.

Foi hoje publicado mais um importante artigo sobre a exposição a mercúrio por indivíduos sepultados nos Perdigões, provavelmente em resultado da utilização cultural de cinábrio (ex: tatuagens, pinturas corporais,...).
Mais um resultado da investigação em curso, coordenada pela ERA, sob direcção científica de António Valera, um dos autores deste importante texto.


quinta-feira, 12 de março de 2015

078 - Apontamentos 10



Acaba de ser publicado o volume 10 da revista Apontamentos de Arqueologia e Património, editada pelo NIA-ERA Arqueologia. O download gratuito pode ser feito aqui.

Conteúdo:
 
António Carlos Valera
“ÍDOLOS” FALANGE, CERVÍDEOS E EQUÍDEOS. DADOS E PROBLEMAS A PARTIR DOS PERDIGÕES

Beatriz Bastos
POTENTIAL OF LIPID ANALYSIS ON PREHISTORIC PORTUGUESE POTTERY

António Carlos Valera, Rui Ramos e Patrícia Castanheira
OS RECINTOS DE FOSSOS DE COELHEIRA 2 (SANTA VITÓRIA, BEJA)

António Carlos Valera
CIEMPOZUELOS BEAKER GEOMETRIC PATTERNS: A GLIMPSE INTO THEIR MEANING

Patrícia Castanheira
MISERICÓRDIA II (BERINGEL, BEJA): ALGUMAS NOTAS PARA O ESTUDO DO BRONZE FINAL
NAS TERRAS DE BARROS
 
José Carlos Quaresma, Alexandre Sarrazola, Inês M. da Silva
PRODUÇÃO DE VIDROS E IMPORTAÇÃO DE TERRA SIGILATTA EM FINAIS DO SÉCULO V / PRIMEIRA METADE DO SÉCULO VI: O CASO DA MARINHA BAIXA, AVEIRO

Alexandre Sarrazola, Mónica Ponce, Teresa Freitas, Marta Macedo
A RAMPA DOS ESCALERES À REAL CORDOARIA, BELÉM / JUNQUEIRA (SÉCULO XVIII)

Ana Olaio, Pedro Angeja, Álvaro Pereira, Gonçalo Sá-Nogueira, André Texugo
ACTIVIDADE ARQUEOLÓGICA E DIVULGAÇÃO DO PATRIMÓNIO EM SANTARÉM
 
 

 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

077 - Próximas conferências/comunicações do NIA

“Arqueologia da auto-estrada do Baixo Alentejo: intervenções mais significativas do Neolítico ao Período Moderno” (Sandra Brazuna e António Carlos Valera). Comunicação a apresentar nos Encontros Era, Sociedade de Geografia de Lisboa (Portugal), 25 de Março de 2015.

“Materiais exóticos no contexto das redes de interacção dos Perdigões (segunda metade do 4º - 3º milénio AC)” (António Carlos Valera). Comunicação por convite a apresentar  no Workshop “Identification of key resources and the reconstruction of their role in the dynamics of socio-cultural manifestations and their diversity in the Chalcolithic on the Iberian Peninsula” a realizar em  Alcalá – Madrid (Espanha) a 9,10 de Abril de 2015.
“Padrões de interacção: primeira aproximação à origem dos ídolos betilo no contexto dos materiais exógenos dos Perdigões.” (António Carlos Valera, Maria Isabel Dias e Maria Isabel Prudêncio). Comunicação por convite a apresentar na 2ª Mesa-Redonda Peninsular  “Tráfego de Objectos - Tráfego Tecnológico: sintomas das Ideologias dominantes na Ibéria" que terá lugar em Abrantes (Portugal), 27 e 28 de Abril de 2015.

“Scaling monumentality in Iberian Recent Prehistory” (António Carlos Valera). Comunicação por convite a apresentar em reunião científica a decorrer em Dublin (Irlanda) entre 28 de Maio e 1 de Junho de 2015.
“Landscapes of complexity in South Portugal during the 4th and 3rd millennium BC”. (António Carlos Valera) Comunicação por convite a apresentar ao encontro “Megaliths, Societies, Landscapes, Early Monumentality and Social Differentiation in Neolithic Europe”, a realizar em Kiel (Alemanha) entre 16 e 20 de Junho.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

075 - Conferência em Kiel

(Desenho por Guida Casela)
 
Durante o dia de hoje, o NIA estará na Universidade de Kiel (Alemanha) para participar num seminário de mestrado daquela instituição, com uma conferência alusiva aos Recintos de Fossos portugueses.

Aqui fica o resumo da comunicação:
A investigação de Recintos de Fossos do Neolítico Final e Calcolítico é um desenvolvimento relativamente recente no âmbito da Pré-história recente portuguesa. Nas últimas duas décadas, tem vindo a ser identificado um significativo número destes complexos sítios, revelando diferentes arquiteturas, dimensões e implantações topográficas. Investigações recentes têm vindo a demonstrar a importância dos recintos de fossos na construção das paisagens Neolíticas. Nesta conferência será apresentada uma síntese dos dados cronológicos disponíveis, temporalidades, arquitetura e design, dimensões, relações com a paisagem e práticas sociais desenvolvidas naqueles espaços, com particular enfase dado às práticas funerárias. Serão ainda discutidos os papéis sociais desempenhados por estes sítios, sobretudo no âmbito do que hoje sabemos ser um fenómeno em larga escala.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

074 - Sondagens arqueológicas Variante dos Capuchos

Os trabalhos de diagnóstico arqueológico na Variante dos Capuchos (Leiria) consistiram na escavação manual de uma sondagem com 12m de comprimento por 1m de largura, numa cascalheira de um terraço fluvial do Rio Lis.  
Este terraço corresponde ao encaixe do rio no Plistocénico, recortando o substrato constituído por margas de A-Gorda, posteriormente preenchido por depósitos quaternários através de uma série de processos fluviais dinâmicos. É nestes depósitos que os artefactos arqueológicos se encontram. O conjunto artefactual é constituído por indústria lítica de pedra lascada crono-culturalmente enquadrável no Acheulense (Paleolítico Inferior). O seu estudo criterioso assume assim uma extrema importância para o conhecimento das ocupações humanas mais antigas da Península Ibérica.

Figura 1 – Vista geral do sítio intervencionado.

Os trabalhos de escavação arqueológica estão terminados, encontrando-se já reunida uma equipa multidisciplinar de especialistas em Pré-História Antiga e Geologia, tanto da Era-Arqueologia como das Faculdades de Ciências de Lisboa e Coimbra, que analisará os dados recolhidos com vista a uma publicação que certamente trará novidades.

Figura 2 – Vista de pormenor de um dos cortes expostos pela intervenção arqueológica e onde são visíveis dois dos quatro níveis de cascalheira.

Tiago do Pereiro
Andreia Pinto

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

072 - O NIA no VIII Encontro de Arqueologia do Sudoeste


O NIA-ERA estará presente no VIII Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular (24-26 de Outubro) com quatro comunicações.

Três delas decorrem do Projecto dos Perdigões, incidindo sobre processos de preenchimento de fossos e conjuntos artefactuais específicos.

António Valera falará "Sobre a colmatação de fossos na Pré-História Recente: o preenchimento dos fossos Neolíticos dos Perdigões (Reguengos de Monsaraz)".

Patrícia Castanheira e Nelson Cabaço falarão sobre “Quotidianos em Osso: Algumas notas à Indústria Óssea dos Perdigões”

 A terceira será relativa aos materias em ouro, intitulando-se "As lâminas de Ouro do Túmulo 2 dos Perdigões (Reguengos de Monsaraz)” e será assinada por António Monge Soares, Pedro Valério, Luís Cerqueira Alves e António Valera.

A quarta resulta da intervenção de minimização realizada pela ERA Arqueologia na ETAR de Vila Nova de Mil Fontes e será efectuada por António Valera e Jorge Parreira sob o título "Ocupação calcolítica da costa alentejana: problemáticas levantadas pela nova intervenção na ETAR de Vila Nova de Mil Fontes (Odemira)"

Será ainda apresentada uma outra comunicação referente à "Avaliação de impactos em Arqueologia: dados e ideias para uma mudança de paradigma", da autoria de Miguel Lago, responsável pelo Departamento Técnico.
 
 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

071 - O NIA no Congresso da UISPP


O NIA estará presente no próximo congresso do UISPP em Burgos com duas comunicações e dois posters, onde os recintos de fossos, os Perdigões e as questões funerárias com eles relacionadas serão uma vez mais tratadas.
Comunicações:
Are some ditched enclosures funerary ceremonial centres? Questioning the current data from 3rd millennium South Portugal (António Carlos Valera)
Resting in peace or in pieces: Tomb I and death management in the 3rd millennium BC at the Perdigões Enclosure (Reguengos de Monsaraz, Portugal) (Lucy Evangelista; Ana Maria Silva)
Posters:
Funerary practices of the Chalcolithic period: the collective secondary cremations at Perdigões enclosure. (António Carlos Valera; Inês Leandro; Daniela Pereira; Ana Maria Silva)
Mercury and Stable Isotope Analysis of Human Bone from a Late Neolithic/Chalcolithic Ditched Enclosure at Perdigões, Portugal (Steven D. Emslie; Rebecka L. Brasso; William P. Patterson; Ana Maria Silva; Hugo Gomes; António Carlos Valera)

domingo, 6 de julho de 2014

070 - Arqueólogos em Portugal têm novos limites...


A integração, em equipas de arqueologia, de especialistas de outras áreas científicas pode ser fundamental. Os casos em que a arqueologia se cruza com a antropologia biológica, é disso um bom exemplo. No próprio Regulamento de Trabalhos Arqueológicos (RTA), a legislação que regula a arqueologia em Portugal, existe um articulado específico sobre esta matéria, considerando que (e muito bem) devem ser integrados especialistas daquele domínio nas equipas de escavação arqueológica de contextos funerários.

Recentemente, de forma surpreendente e sem qualquer debate prévio com a esmagadora dos arqueólogos portugueses, a DGPC – Direcção Geral do Património Cultural decidiu alterar a forma de intervencionar contextos arqueológicos com restos humanos. Para tanto, divulgou um documento (Circular*), através do qual são realizadas alterações profundas à legislação em vigor para a arqueologia, a coberto de uma suposta particularização de alguns procedimentos definidos no RTA.

Tenho uma opinião muito clara sobre este documento e sobre a forma como foi elaborado e divulgado. Sendo muito sintético, direi apenas o seguinte sobre a já célebre “Circular de Antropologia” da DGPC:

- em relação à forma, esta circular é ilegal porque é  proibido emitir actos normativos (que não são leis) que interpretem, preencham lacunas ou complementem leis ou decretos-lei. Ou seja, a DGPC  não tem competências para emitir as normas que integram esta circular, nem pode exigir algo que não está no RTA ou que contradiz o que ali está definido;

- em relação ao conteúdo e ao atribuir a especialistas de antropologia biológica a responsabilidade pela escavação de contextos com restos humanos,  esta circular viola em absoluto os princípios do RTA que definem que cabe a arqueólogos a direcção de todas as categorias de trabalhos arqueológicos, incluindo aqueles que se realizem em contextos com restos humanos.

Com esta circular, a DGPC altera em absoluto alguns do pressupostos legais em vigor e atribui a especialistas, que não estão preparados para tal, responsabilidades dos arqueólogos, únicos profissionais formados para dirigir escavações arqueológicas. Refira-se que, para além do aspecto legal e corporativo, nenhum nível de formação em antropologia biológica ministrado em Portugal inclui competências em arqueologia. Assim sendo, como é possível atribuir responsabilidades a quem não tem formação específica, retirando-as a quem é devidamente formado para esse efeito?

Independentemente de eventuais e virtuosas intenções, a “Circular de Antropologia” foi um lamentável e grosseiro erro cometido pela tutela do património arqueológico. Esse erro deve ser assumido e reparado através da revogação do acto administrativo que lhe está inerente.

Talvez depois, de forma serena e em diálogo com os profissionais de arqueologia, seja possível iniciar um processo que permita incrementar a qualidade das intervenções arqueológicas em contextos com restos humanos, nos quais a participação de antropólogos é, evidentemente, fundamental.

Se nada for feito, estaremos mais uma vez a contribuir para a implementação de práticas que, através da desresponsabilização dos arqueólogos, contribuirão para a defesa dos mais incompetentes e daqueles que assentam a sua acção profissional em baixos níveis de qualidade.

"Circular de Antropologia da DGPC"

quinta-feira, 19 de junho de 2014

069 - Retorno Social


 
 
Na próxima semana decorrerá em Serpa a segunda acção piloto realizada no âmbito do projecto FCT PTDC/HIST-ARQ/

114077/2009, “Práticas funerárias da Pré-História Recente no Baixo Alentejo e retorno sócio-económico de programas de salvamento patrimonial”, financiado pela FCT e pelo programa COMPETE, comparticipado pelo FEDER.

Depois da exposição dos resultados no 12º colóquio anual da ERA Arqueologia e da primeira acção piloto (um concurso de ideias lançado aos alunos do Instituto Politécnico de Beja), surge agora um workshop orientado para empreendedores locais. O objectivo é o mesmo. Inteirá-los do potencial do conhecimento arqueológico que tem vindo a ser construído pela Arqueologia de minimização na região (concretamente no que respeita à Pré-História Recente) e motivá-los a utilizarem esse conhecimento na sua actividade empreendedora como factor diferenciador.
 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

068 - Escavações nos Perdigões em preparação.



No mês de Julho voltam as escavações nos Perdigões, agora com um novo projecto plurianual para 2014 - 2017. No campo irão estar as equipas da ERA-NIA e da Universidade de Málaga.

No NIA estamos em fase de apreciação das candidaturas. Tarefa complicada, pois há 79 candidatos para 14 lugares. É quase sempre assim todos os anos. E é sempre com um lamento que não se dá resposta positiva a todos aqueles que se interessam pelo projecto e por com ele colaborar nos trabalhos de campo.

A colaboração com a Universidade de Bradford continua, recebendo estudantes no âmbito do seu programa de formação académica.

Steven Emslie da Universidade da Carolina do Norte, que está a desenvolver estudos de isótopos estáveis em restos humanos dos Perdigões, juntar-se-á à equipa da ERA e investigadores da universidade de Alcalá de Henares (Primitiva Bueno e Rodrigo Balbín) irão colaborar com a equipa de Málaga na remoção e estudo da estela-menir que se encontra fragmentada numa fossa na Porte NE.

Em breve daremos indicações sobre como seguir (quase dia a dia) o desenvolvimento dos trabalhos.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

067 - Pré-história Antiga no Baixo Alentejo

Os vazios espaciais existentes nos mapas de distribuição das ocupações humanas resultam em grande parte de um profundo desconhecimento do território, mas também da falta de sensibilidade e problematização dos contextos. De vez em quando surgem novidades, deixadas como impressões digitais no terreno, que nos deixam perplexos com a dinâmica da passagem humana por determinadas áreas geográficas.




A imagem, acima exposta, ilustra uma dessas novidades, que, não sendo à partida totalmente desconhecida, foi votada ao esquecimento durante décadas, talvez em parte, pelo aparecimento massivo de contextos de estruturas negativas que povoam a vasta planície alentejana. Mas não nos iludamos, o território em que trabalhamos não é estanque no espaço e no tempo, antes sofreu uma série de processos dinâmicos que lhe alteraram a face, até ao produto que hoje conhecemos.




É com a perspectiva de melhor conhecer o território antigo e os indivíduos que sobre ele caminharam, que se começa a lançar bases para um projecto de estudo. A partir de agora, certamente existirá uma maior atenção para o legado que os primeiros grupos de caçadores-recolectores nos deixaram nas margens do Guadiana.




Andreia Pinto
Tiago do Pereiro
João Pedro Cunha-Ribeiro